De Lugar Nenhum

Comida Afetiva

cozinha afetiva

O termo “culinária afetiva” vem sendo usado cada vez mais na atualidade, principalmente por chefs de cozinha e cozinheiros que trabalham com o aspecto cultural da comida, mas, ainda há muitas dúvidas e confusões sobre seu significado e objetivos.

Afinal, o que é a tal da cozinha afetiva? Pra que ela serve? Qual a sua importância?

A seguir vamos explorar um pouco do recorte brasileiro no uso desse termo.

culinaria afetiva
Pão de queijo – Culinária Afetiva

Explicando a Culinária Afetiva

Há um tempo atrás era tendência vermos por aí muitos espaços e restaurantes que se auto denominavam  “gourmet”, que tinham aspecto rebuscado em sua decoração e cardápios, com cozinhas que trabalhavam com ingredientes de difícil acesso, técnicas da chamada “alta gastronomia”, na esmagadora maioria das vezes inspirados nas tendências modernas europeias.

Esse tipo de culinária obteve muito sucesso no Brasil entre a classe burguesa (também chamada de “elite brasileira” ou “classe dominante”) que a ela tinha acesso, pois dada a nossa herança colonial, fomos ensinados a acreditar que o que vem de fora tem mais valor do que o que vem da nossa própria terra. Mas, como sabemos, os modismos e tendências são cíclicos, e na gastronomia não é diferente.

culinaria afetiva
Quem não lembra de casa quando vê uma macarronada?

Durante muito tempo o Brasil foi (e ainda é) esse exportador não apenas de matéria prima mas também de talentos gastronômicos, pessoas que iam para fora do Brasil para estudar e buscar atuação profissional em grandes restaurantes fora do país, muitos ainda dentro dessa crença de que “o bom mesmo é o que está lá fora”, ou com a visão de buscar o conhecimento técnico da alta gastronomia para depois retornar ao país e aplicar seus conhecimentos adquiridos seja em grandes restaurantes de culinária internacional ou em restaurantes autorais.

Lembra-se que comentei acima que as tendências são cíclicas?

Pois bem. Chegou uma hora que a tendência do gourmet, do restaurante chique com cara de europa, dos ingredientes exportados, ficou cansada. Era preciso mudar. Nós presenciamos então uma onda de grandes chefs de cozinha brasileiros começarem a olhar para dentro de si e a querer colocar pra fora quem realmente eram, quais eram as suas raízes, o que nossa terra tem de valoroso – que não é pouco, muito pelo contrário, nossas riquezas gastronômicas são enormes.

Aos poucos começamos a ver uma resposta desses chefs ao “gourmet”, a partir do uso de ingredientes da nossa terra, de técnicas tradicionais da culinária brasileira. Começamos a ver grandes restaurantes servirem feijoada e baião de dois como prato principal, coxinha e pão de queijo como entradas, cocada e brigadeiro para sobremesa, por exemplo. Vimos então a nossa cozinha valorizada, não apenas na mesa de nossas matriarcas, mas agora também exposta nas vitrines internacionais que são os restaurantes autorais de grandes cozinheiros.

Falando em Comida Afetiva, você precisa conhecer Comida baiana: conheça 20 pratos da Bahia que o Viagem com a Norma escreveu, você vai adorar!

Mas o que isso tem a ver com a culinária afetiva? Bem… tudo.

Como o próprio nome diz, a culinária afetiva é aquela que traz consigo afeto, que tem uma carga emocional, que transporta a história e os sentimentos de quem a faz, que acolhe a quem alimenta. É a comida da mãe, da avó, a comida feita à várias mãos, que emociona, que lembra o que você chama de casa. É a culinária que você sente falta quando mora longe de quem se ama.

A comida afetiva do Brasil

No caso do Brasil, a cozinha afetiva está intimamente ligada com o uso dos produtos da nossa terra e com as técnicas dos nossos povos originários (indígenas) se misturando às técnicas e produtos trazidos pelos povos colonizadores, migrantes e imigrantes. Nossa culinária é tão complexa quanto a nossa história e tão criativa quanto o povo brasileiro precisa ser perante os desafios que sempre enfrentou.

cozinha afetiva
O famoso churrasco dos domingos

A comida afetiva está ganhando o coração de todos

Muitos têm a definição da riqueza brasileira como uma riqueza estritamente material à qual apenas a classe burguesa tem acesso, mas não vejo dessa forma.

A maior riqueza do Brasil é a sua cultura – o complexo conjunto de conhecimentos que adquirimos e carregamos ao caminhar por essa terra.  Cada receita da cozinha afetiva, traz consigo um pedaço da nossa cultura e da nossa identidade, que no final das contas é a herança que temos para deixar neste mundo.

O Caminhos me levem, um site que eu adoro, tem um post caso você queira conhecer outras comidas do mundo, melhor que seja por alguém que já provou todas elas: Melhor comida do mundo veja lá e vai adorar!

Nosso legado, nossa história… – Comida Afetiva

Com a expressão da nossa cozinha brasileira por grandes chefs de cozinha, o movimento da valorização do que nossa terra dá, do preparo do seu próprio alimento, do resgate de receitas e técnicas familiares, nós não estamos exportando mais apenas nossa matéria prima e nossos talentos: Agora também exportamos a nossa cultura. E cada dia mais tomamos consciência do nosso valor e do nosso poder de transformação interna.

Sabe aquela receita que a sua mãe faz, que ela aprendeu com a sua avó, que foi ensinada pela sua bisavó? Ou aquela receita que seus tios sempre fazem juntos quando se reúnem? Pergunte como faz, demonstre interesse.

Aprenda a culinária afetiva, faça para quem você ama, assim como ela foi feita para ti por quem te amou.

Não deixe essas receitas morrerem. Dessa forma nós estamos contando às gerações futuras não apenas a nossa história individual, mas também a história do Brasil.

Acredito que a culinária afetiva seja um instrumento chave na produção cultural brasileira e catalisador de grandes transformações dos seres enquanto indivíduos e enquanto sociedade.

Veja também:

Veja também: Como ir do Aeroporto de Praga para o centro da cidade.

Leia: Maneiras de economizar dinheiro pra viajar!

Nossos descontos

culinaria Afetiva
ademais
afinal
aliás
analogamente
anteriormente
assim
certamente
conforme
conquanto
contudo
decerto
embora
enfim
enquanto
então
entretanto
eventualmente
igualmente
inegavelmente
inesperadamente
mas
outrossim
pois
porquanto
porque
portanto
posteriormente
precipuamente
primeiramente
primordialmente
principalmente
salvo
semelhantemente
similarmente
cozinha afetiva
  • Dicas para sua viagem:

20 respostas

  1. Uau😱😱impressionada com esse talento para escrita gastronômica 😍adorei a matéria, parabéns pela pesquisa,cozinhar com amor e por amor😍

  2. No papel de marido e degustador constante das obras culinárias da autora, posso garantir que o dom dela não é apenas o da palavra – a culinária corre forte na veia dessa mulher maravilhosa. Parabéns pela nova empreitada nesse mundo dos blogs, e que venham mais inúmeros textos, e inúmeros quitutes também! ❤❤❤

    Je t’aime, ma cherie! 😘

  3. Que delícia de texto…senti saudades da comida da D.Chica…minha mãezinha…tive o privilégio de aprender muito com ela…parabéns minha linda…saudades de vcs…bjos

  4. Amei o tema. Não conhecia esse termo. Mas percebi que eu procuro praticar a cozinha afetiva com minhas filhas. Momentos e sabores que elas guardam na memória.

  5. A cozinha afetiva é cada vez mais o futuro da gastronomia. Até porque mesmo os restaurantes de comida gourmet e respectivos chefs trazem as suas memórias, o seu legado para os pratos que criam. Nossa, como tenho saudades da sopa da avó.

  6. Que texto top. Me identifico muito com o conteúdo do seu texto sobre cozinha afetiva. Tenho tantas memórias da comida da minha infância no sertão da Bahia, que fico feliz quando tenho a oportunidade de voltar a comer. Que bom que hoje já existe essa preocupação em valorizar essas memórias.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *